Com o objectivo de esclarecer algumas das questões mais frequentes dos atiradores iniciantes de IPSC em Portugal, este artigo é direccionado para todos os atletas de tiro prático que estão a iniciar esta modalidade.
Ressalvo que este artigo baseia-se apenas na minha opinião, no meu conhecimento e na minha experiencia, sendo portanto um artigo de opinião.


Iniciantes no IPSC


Nesta fase inicial da carreira de atirador, existem sempre muitas dúvidas sobre todos os assuntos, desde competições até ao material que deve ser escolhido.
Desta forma, recolhi um conjunto de questões que acho pertinente serem respondidas:

  1. 1- Onde me posso inscrever para as competições?
  2. 2- Que material é necessário para competir?
  3. 3- Que arma escolher e quais os factores a ter em conta nessa escolha?
  4. 4- Que calibre utilizar?
  5. 5- Que coldre devo escolher?
  6. 6- Por qual divisão devo optar?
  7. 7- Qual o alinhamento comum de uma prova em Portugal?
  8. 8- Que objectivos devo ter nas primeiras competições?
  9. 9-Qual o tipo de treino que devo seguir nesta fase inicial da carreira como atirador de tiro dinâmico?
Postas as questões, vamos passar então às respostas.


  1. 1 - Onde me posso inscrever para as competições?


  2. As inscrições para as competições são feitas no portal da Federação Portuguesa de Tiro (www.fptiro.pt). Basta aceder ao site e escolher quais as competições em que quero participar.




  3. 2 - Que material é necessário para competir?


  4. Existe um conjunto de componentes básicos e necessários para uma competição:

    • - Documentos pessoais e documentos das armas;
    • - Cinturão interior e exterior;
    • - Coldre seguro;
    • - 3 porta carregadores;
    • - Uma arma que corresponda às expectativas;
    • - 3 Carregadores no mínimo;
    • - Munições suficientes (levar no mínimo mais 50 munições do que os disparos mínimos);
    • - Material de protecção (óculos e obliteradores) e roupa desportiva adequada à prática da modalidade;
    • - Uma mochila para transportar o material para a Carreira de Tiro;
    • - É aconselhável um banco para possíveis momentos de descanso na transição entre pistas;
    • - Calçado adequado ao terreno para evitar quedas e possíveis desclassificações;
    • - Comida e bebida ligeiras;
    • - Material para limpar a arma e os carregadores caso seja necessário;
    • - Quando as condições climatéricas forem adversas, devemos ter sempre protecção para nós e para o equipamento.



  5. 3 - Que arma escolher e quais os factores a ter em conta nessa escolha?


  6. A resposta a esta questão abrange várias variantes, desde a preferência pessoal do atirador, até ao poder financeiro do mesmo.

    Quando escolhemos uma arma, além do nosso gosto pessoal, devemos ter em conta vários factores muito importantes e condicionantes que podem influenciar o nosso desempenho ao longo das provas.
    Posto isto, os factores principais que destaco passam pelo tamanho das tuas mãos, o quão confortável te sentes a empunhar a arma, o controlo que sentes ,que tens sobre ela, a precisão, o aparelho de pontaria, o peso da arma, as características do gatilho, desde o peso ao design do mesmo.

    Não deves esquecer que a arma tem que se adequar o melhor possível à divisão onde vais atirar.
    Deixo alguns exemplos de marcas mais utilizadas no tiro prático: TANFOGLIO, GLOCK, CZ, SIG-SAUER.


  7. 4 - Que calibre utilizar?


  8. No IPSC, os calibres mais utilizados são o 9x19, .40, .38super.
    A escolha de cada calibre é baseada na arma e na divisão que o atirador escolhe.

    O calibre 9mm é o mais frequente, embora retire vantagem quando utilizado na divisão Standard ou Open.
    Desta forma, o aconselhável a um atirador que escolha uma destas divisões é optar por .40 s&w em Standard e .38super em Open.
    Apesar de não retirarem vantagens, existem outros pontos menos positivos a quem optar por um destes dois calibres, nomeadamente o facto de ser mais difícil de recarregar ou comprar, são mais dispendiosos em termos de componentes e mais raros nas armarias.
    No que diz respeito ao calibre 9mm, este já é mais frequente encontrar em qualquer armaria, é mais económico e mais fácil de recarregar, os componentes também são menos dispendiosos e não é necessário apanhar invólucros nas provas.
    Apresentadas estas diferenças, na minha opinião, os atiradores que estão a iniciar a prática desta modalidade devem optar por atirar em 9mm.
    Se o objectivo for atirar em Standard ou Open, devem adaptar pelo calibre em que conseguem retirar mais vantagem.


  9. 5 - Que coldre devo escolher?


  10. Existem muitos modelos de coldres no mercado, tudo depende apenas do orçamento que o atirador dispõe para este componente.
    A escolha de um coldre deve recair essencialmente na sua segurança e fiabilidade.
    Na minha opinião devem ser fáceis de ajustar, leves, robustos e específicos para o modelo de arma que o atirador tem.
    Além do coldre, é importante que o atirador compre um íman para colocar num dos porta carregadores para, quando necessário, em prova, ajuda-lo a ganhar tempo numa situação em que não necessita de colocar o carregador num porta carregadores.
    Apesar destas considerações, nunca descurem do vosso gosto pessoal.
    Deixo alguns exemplos de modelos de coldres: CR SPEED, GUGA RIBAS, GOSTH, DAA.


  11. 6 - Por qual divisão devo optar?


  12. No IPSC existem varias divisões: Open, Standard, Production, Classic e Revolver.
    A minha resposta não passará por explicar o objectivo de cada uma, mas sim apontar os benefícios e os pontos menos favoráveis à escolha de cada divisão.
    A Open é uma divisão onde é necessário um grande investimento no que diz respeito à escolha da arma, às munições, ao aparelho de pontaria e qualquer componente relacionado com a arma.

    A Standard é uma divisão onde é possível utilizar o calibre .40 e o 9mm. Em questões de competitividade o uso do .40 é o ideal para a obtenção do máximo de pontos possíveis (fator maior). Embora o preço das munições seja mais elevado.

    As divisões Classic e Revolver são divisões muito específicas que requerem um material demasiado especifico para estas divisões em particular.

    A Production, no meu entender, é a melhor opção por diversas razões. Começo pelo facto de ser uma divisão mais económica em relação às restantes, consegue-se ser competitivo com munições de fábrica, em termos de aprendizagem é a divisão mais vantajosa porque combina mais factores em simultâneo (pontaria e tempo), toda a manutenção da arma é mais económica e não são necessárias quaisquer alterações às armas para podermos competir.
    Nesta divisão devemos optar por utilizar 9mm por ser mais económica e mais fácil de obter.


  13. 7 - Qual o alinhamento comum de uma prova em Portugal?


  14. Em Portugal existe um alinhamento comum que o atleta deve seguir desde que chega à carreira de tiro, até que termina a competição e deixa a carreira de tiro.
    É de ressalvar que este alinhamento de acontecimentos pode ser diferente e competições internacionais e nem sempre é igual em todas as provas fora de Portugal.

    Alinhamento:

    • - O atleta deve chegar à carreira de tiro no mínimo 30 minutos antes do controlo de equipamento;
    • - O atleta deve dirigir-se à área de controlo de equipamento para receber as respectivas folhas do controlo e das pistas constituintes da prova;
    • - O atleta deve equipar-se na área de segurança (nesta área relembro que é expressamente proibido o contacto com munições reais);
    • - O atleta deve dirigir-se para a pista onde vai iniciar a competição;
    • - O atleta deve realizar a prova;
    • - O atleta deve verificar os resultados provisórios e resultados finais.




  15. 8 - Que objectivos devo ter nas primeiras competições?


  16. Na minha opinião, o mais importante nas primeiras competições é terminar a prova. Com isto quero dizer que o mais importante é fazer todas as pistas com o máximo de segurança e não tomar como exemplo os atiradores mais experientes e mais rápidos, ou seja, não querer atingir os mesmos resultados, o mesmo tempo e/ou a mesma velocidade dos outros atiradores.
    Além deste primeiro objectivo fulcral para o sucesso, o atirador nas primeiras competições deve preocupar-se em fazer Alfas, o ideal é conseguir ente 85 e 90% de alfas. Para isso devemos estar sempre atentos ao briefing, aproveitar o tempo disponibilizado para verificar todos os ângulos de segurança, a posição dos alvos e perceber onde devem ser feitas as trocas de carregador.
    Nas primeiras competições, o atirador deve colocar em prática a estratégia mais simples para memorizar e concretizar, para que não se coloque em perigo e para que não se esqueça de nenhum alvo.

    Nunca é demais relembrar que o dedo só deve ir ao gatilho quando estamos certos que vamos disparar. Este é um motivo frequente de desclassificação de atirados iniciantes.
    Ao longo da evolução do atirados, os objectivos vão evoluindo também e tornam-se cada vez mais ambiciosos em termos de resultados e conquistas.
    O mais importante é nunca querer dar passos maiores que a perna e subir sempre degrau a degrau de uma forma consistente e sustentável


  17. 9 - Qual o tipo de treino que devo seguir nesta fase inicial da carreira como atirador de tiro dinâmico?


  18. Actualmente, pelo que me apercebo, há um pressuposto errado por parte dos atiradores que estão a iniciar esta modalidade. Existe a ideia que para ter sucesso no tiro prático é necessário correr a uma grande velocidade e disparar cada vez mais rápido.
    Tenho a dizer que não concordo em nada com esta abordagem quando o nosso objectivo é o sucesso.
    O tiro prático compara-se a uma pirâmide. Não podemos querer construir e chegar ao topo se a base da pirâmide não for forte e consistente, para conseguirmos essa base forte, devemos apostar na consistência e essencialmente, na precisão.
    Desde o inicio da construção do teu percurso no tiro, deves dar mais importância à precisão do que à velocidade. Dito isto não significa que deves descurar a velocidade, muito pelo contrário, o ideal para seres bem sucedido é conseguires encontrar um equilíbrio entre a precisão e a velocidade.
    Para isso os teus treinos iniciais devem incidir sobre a precisão. Devem ser sempre exercícios básicos, bastante específicos para a capacidade que queres ver mais desenvolvida.
    “Um delta no treino é um miss em competição”
    Devemos incidir sobre uma competência em cada treino. Não deves treinar demasiados factores no mesmo treino, desta forma não vais conseguir incidir afincadamente sobre uma só capacidade, o que vai fazer com que não consigas desenvolver cada competência como deve ser.
    Posto isto que competências deves começar por desenvolver e treinar:

    • - Precisão;
    • - Saques;
    • - Trocas de carregador;
    • - Transição entre alvos;
    • - Transição entre posições;
    • - Tiro em movimento;
    • - Barricadas;
    • - Alvos móveis;
    • - Mão forte e Mão fraca;

    Não existem dúvidas que fazer os treinos com tiro é extremamente importante, mas quando estamos em inicio de carreira, e é para os atiradores iniciantes que este artigo se direcciona, devemos dar uma maior importância ao treino a seco.
    Em casa, com toda a segurança, deves aproveitar para treinar pontos possíveis acima mencionados.
    Quando fores treinar á carreira de tiro, tenta individualizar os treinos ao máximo, ou seja, é preferível fazeres mais treinos com menos disparos, do que fazer menos treinos com muitos disparos onde vais combinar vários conceitos que devem ser treinados individualmente.
    E nunca te esqueças, o mais importante é fazeres alfas.


O próximo artigo recairá sobre um tema para os atirados mais experientes, estou inteiramente disponível para receber as vossas sugestões.

Bons treinos.



Miguel Ramos






Este artigo sairá brevemente. Fica atento.












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